
Porque toda palavra tem um peso e um alcance.
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Quando lhe entreguei a folha de hera com formato de coração (um coração de nervuras trementes se abrindo em leque até as bordas verde-azuladas) ele beijou a folha e levou-a ao peito. Espetou-a na malha do suéter: “Esta vai ser guardada aqui.” Mas não me olhou nem mesmo quando eu saí tropeçando no cesto. Corri até a figueira, posto de observação onde podia ver sem ser vista. Através do rendilhada de ferro do corrimão da escada, ele me pareceu menos pálido. A pele mais seca e mais firme a mão que segurava a lupa sobre a lâmina do espinho-do-brejo. Estava se recuperando, não estava? Abracei o tronco da figueira e pela primeira vez senti que abraçava Deus.
É trecho de um conto da Lygia Fagundes Telles chamado Herbarium. Esse conto mexe muito comigo; me faz quase chorar, mas nunca choro. Não sei o motivo dessas sensações ao certo. Esse trecho, em especial, tem um derramar de alma, algo que faz as coisas mínimas se tornarem grandiosas; um chamado à esperança da vida e do amor.
Quem quiser ler Herbarium na íntegra, é só clicar aqui. Posso compartilhar, mas é pena não poder garantir esse turbilhão de emoções que senti; mas de qualquer forma, acho improvável que a indiferença resista.