novembro 2006

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To querendo incrementar isso aqui – leia-se layout -, mas… Hummm, que fazer?

 

Sugestões e colaborações são bem-vindas.

Conclusão até Agora

Eu sou grata porque o tempo passa e porque as coisas que antes eram grandes, hoje são insignificantes. Eu sou grata porque o valor das coisas é relativo, pelo menos o valor de muitas delas. Nem sempre é fácil suportar algo grandioso pela vida toda; acaba sufocando: paixão muito intensa, proximidade demais, principalmente quando isso tudo é unilateral. sou grata pelo curso da vida e pelos dias novos. Sentir a dor dos outros é nobre, um ato de amor e faz de um ser humano especial; mas tem limites, deve ter. Por isso eu acho singular aquele que é um dos maiores mandamentos do cristianismo: “ama ao próximo como a ti mesmo.”. Amar-se é o segredo; estabelecer limites é essencial para que o cansaço e o desânimo não tomem conta de todo o resto.

Sou grata porque o tempo passa e me faz aprender cada vez mais sobre mim mesma e isso me permite arrebentar algumas de tantas correntes, algumas com que eu mesma um dia me deixei prender.

Boas surpresas

No último domingo, foi meu aniversário. Confesso que de uns anos pra cá não tenho sido uma entusiasta dessa data, mas como não dá pra passar em branco, sempre tem um bolo de chocolate por perto; sim, precisa ser de chocolate. Esse ano eu não fiz festa, não chamei ninguém pra vir aqui em casa, como sempre fazia. ah, eu gosto de comemorar o aniversário dos outros, não o meu! Não gosto de comemorar, mas admito que adoro que os outros se lembrem de mim. foi uma delícia receber parabéns por todos os lados: ao vivo, por telefone, via orkut ou msn, nos raros momentos em que fiquei online. Embora fossem esses cumprimentos dados de formas diferentes, pra mim tiveram o mesmo valor; cada lembrança é um presente de alto preço; cada palavra e cada amigo é um tesouro diferente. Essas foram as boas surpresas que tive: palavras de gente que eu não esperava que pudesse demonstrar tanto carinho; palavras de gente que eu esperava sim que me dissesse uma frase carinhosa. senti-me abraçada real e virtualmente; e só Deus sabe o quanto eu, ainda na segunda-feira, me sentia leve; e como hoje ainda me sinto especial pra tanta gente. Acho que não ligo para festas porque já aprendi que um dia tranqüilo e amigos ao redor, mesmo que não seja de corpo presente, são o mais importante. Isso não quer dizer, claro, que eu nunca mais reunirei meus queridos num lugar só. Quem sabe?

Quando lhe entreguei a folha de hera com formato de coração (um coração de nervuras trementes se abrindo em leque até as bordas verde-azuladas) ele beijou a folha e levou-a ao peito. Espetou-a na malha do suéter: “Esta vai ser guardada aqui.” Mas não me olhou nem mesmo quando eu saí tropeçando no cesto. Corri até a figueira, posto de observação onde podia ver sem ser vista. Através do rendilhada de ferro do corrimão da escada, ele me pareceu menos pálido. A pele mais seca e mais firme a mão que segurava a lupa sobre a lâmina do espinho-do-brejo. Estava se recuperando, não estava? Abracei o tronco da figueira e pela primeira vez senti que abraçava Deus.



 

É trecho de um conto da Lygia Fagundes Telles chamado Herbarium. Esse conto mexe muito comigo; me faz quase chorar, mas nunca choro. Não sei o motivo dessas sensações ao certo. Esse trecho, em especial, tem um derramar de alma, algo que faz as coisas mínimas se tornarem grandiosas; um chamado à esperança da vida e do amor.

 

Quem quiser ler Herbarium na íntegra, é só clicar aqui. Posso compartilhar, mas é pena não poder garantir esse turbilhão de emoções que senti; mas de qualquer forma, acho improvável que a indiferença resista.

Pra Pensar

Lendo esta coluna aqui, percebi que preciso dar um tempo; mudar meus objetivos para ser mais feliz; rever meus próprios desejos e descobrir se eles são realmente meus. Leia, pense e, se for o caso, recicle-se. Se não for o caso, você é feliz!

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