abril 2007

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A Fama e suas Bobagens

A cada dia que passa mais me agrada a idéia de ser anônima. As pessoas procuram a fama, o reconhecimento público, mas é difícil encontrar alguém que saiba realmente lidar com eles e suas conseqüências. E isso independe de tempo de carreira. Quer um exemplo? Muito tem se falado sobre a polêmica que envolveu a biografia não autorizada Roberto Carlos em detalhes, escrita pelo jornalista Paulo cesar Araújo. Após um acordo, a editora responsável, a Planeta, terá de tirar de circulação todos os livros distribuídos, pois o “rei”, como o chamam, considerou a obra uma invasão de sua privacidade.

Sobre essa história toda, ainda não decidi de que lado eu fico. Se por um lado é chato ter sua privacidade invadida, aqueles que gozam da fama, principalmente a fama de enormes proporções como a do cantor, devem estar preparados para esse tipo de coisa, simplesmente porque elas acontecem e nenhum mortal chamado de estrela está imune a isso. O Xico Sá escreveu um comentário (leia aqui) e eu em parte concordo com ele; muito dinheiro, muita influência e anos de glória derrubam qualquer empreitada editorial que possa ameaçar a “integridade” de alguém.

No outro extremo da linha dos famosos, temos outro exemplo, um pouco diferente do primeiro: o Alemão, aquele que ganhou um milhão de reais no BBB7, ficou famoso do dia para a noite e é assunto de qualquer programa medíocre de tv e de qualquer revista sobre “celebridades”, disse recentemente que não agüenta mais o assédio dos fãs, pois não pode nem ir ao banheiro sossegado. Calma, Alemão, ano que vem tem outro big brother e aí todo mundo vai esquecer que você existe; e o melhor de tudo, seu milhão de reais permanecerá.

Ai, ai… Os homens lutam tanto pela liberdade e não sabem que a têm na palma da mão. Abraçam o mundo, enchem as mãos com outros bens e quando percebem, a liberdade já escapou para o passado.

E viva o anonimato, a vida livre que só dias comuns podem dar.

O amor tem cheiro? O que te lembra o amor?

Dia desses, eu estava navegando no orkut e encontrei uma comunidade em que se discutia o amor e as impressões que as pessoas têm sobre ele. Havia um tópico cujo título era: “o amor tem cheiro?”. Imediatamente, comecei a pensar sobre o que o amor significava para mim. O que me lembrava o amor? Foi aí que me lembrei daquela flor de que gosto tanto: a dama-da-noite. O perfume dessa flor é tão agradável quanto marcante. Sempre que passo por algum lugar e o sinto, tenho a impressão de que o mundo não é tão feio; tenho vontade de dizer para os outros “sinta isso! Não é o melhor cheiro do mundo?”, mas geralmente as pessoas deixam passar despercebido o que para mim é um símbolo de tudo o que há de bom; dá uma vontade danada de ser feliz! Desperta saudade, uma saudade imensa de algo que ainda não vivi; faz vislumbrar o futuro, valorizar as pequenas alegrias do presente e sorrir para o que de bom deixou o passado.

Sempre digo aos outros que não gosto de receber flores. Acho um desperdício buquês de flores que em breve murcharão e morrerão, enquanto poderiam estar vivendo livres e crescendo lindamente em qualquer jardim. Por isso, brinco dizendo que, se alguém um dia quiser me dar flores, que me dê um jardim. E agora, complemento: que seja um jardim cheio de damas-da-noite; que seja um lugar em celebração ao amor.

E para você, de que tem cheiro o amor?

Tantos caminhos pela frente, tantas possibilidades… Tantas miragens que os olhos se sentem tentados a seguir…

Seria difícil, se não houvesse uma certeza, por mais que se pense por horas, dias, meses; uma certeza que indica o caminho real, aquele para onde os pés realmente querem ir.

Mas existe uma barreira, um muro bem alto impedindo a única passagem; um muro que não estava ali, que parece ter sido construído da noite para o dia apenas para tornar as coisas mais difíceis. É um muro todo escrito e desenhado, onde se lêem palavras numa língua desconhecida; que os olhos, ainda deslumbrados com as miragens que os pés ignoraram, são incapazes de ler. Os desenhos, da mesma forma, os olhos não conhecem; mas a alma, a dona da certeza que levou ao caminho, sabe muito bem que são imagens de um passado cheio de beleza e gotas de sorrisos; e que causa muita saudade; saudade que chega porque o presente perdeu uma parte da beleza e dos sorrisos.

O muro é alto, dá medo de escalar. E se a queda for inevitável? Não, não dá pra juntar de novo os pedacinhos tantas vezes colados; talvez nem haja pedacinhos, apenas pó. Por outro lado, permanecer em frente ao muro contemplando as imagens ainda tão vivas não deixa de ser doloroso. Superar o muro pode significar um futuro mais bonito; ao mesmo tempo, a idéia da queda faz recuar. Medo e esperança lutam outra vez, como fazem de tempos em tempos; difícil saber quem vencerá, pois medo e esperança nunca se enfrentam com as mesmas armas.

Quem visse a moça vestida de cor-de-rosa andando pela calçada pensaria que toda a inocência estava presa nas palmas das mãos pequeninas.

Pensamento enganoso esse! A inocência da moça era uma capa clara e fina, quase transparente; mas só deixava os olhos mais atentos verem o que havia por trás dela.

E o que havia era sonho, cicatriz, nuvem; e fragmentos coloridos e pontudos que insistiam em machucar a moça.

O sonho a empurrava para frente, tentando afastar os pedacinhos pontudos; ensinavam suas pernas a darem cada passo. A moça confiava no sonho, mas era difícil esquecer dos dolorosos fragmentos.

Ela não os queria mais, cansara-se dos fragmentos da vida e dos fins de histórias interrompidas antes mesmo de ganharem um enredo. E só por isso o sonho continuava ali, sustentando os pés que caminhavam dentro de sapatos cor-de-rosa.

E a ela só restava tentar, tentar até desmaiar; porque nada ainda estava terminado.