junho 2007

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Ok, após um longo e tenebroso inverno, cá estou novamente. Nunca amei tanto um dia livre como hoje. Tenho todo o tempo do mundo para mim, só para mim; só para me preocupar com as coisas que realmente me interessam, e não com aquelas que me são exigidas. Hoje eu não quero exigências, só quero poder ser livre outra vez. Minha maior dificuldade tem sido a falta de tempo e, sobretudo, a falta de energia para cultivar as coisas de que gosto: ler meus livros favoritos, conversar com meus amigos que amo tanto e de quem nunca me esqueço, assistir a filmes bons, etc. Por outro lado, a vida tem sido bastante compensatória. É bom quando reencontramos pessoas tão semelhantes a nós e que gostam de nós de um modo quase incompreensível; ou quando conhecemos pessoas tão simples de alma, tão espontâneas, o tipo de gente que você quer na sua vida para sempre… Algumas coisas ainda sufocam e parecem estar fora de lugar; outras, porém, ainda estão por vir, para ocupar o lugar que lhes está reservado.

Eu realmente gostaria que algumas coisas dessem certo, coisas essas que me fariam contar uma história diferente e mais bonita. Porque como disse outro dia um (admirável) professor meu, as pessoas nem sempre querem mudar de vida; elas querem, na verdade, tornar a vida diferente para ter problemas diferentes. Gosto de pessoas que conseguem expressar o que eu sinto; não me sinto tão só em relação aos meus pensamentos. Nas palavras dele eu consegui me encontrar; e quando a gente se encontra, quando a gente dá nome às coisas que existem dentro de nós, elas ficam mais leves e passam a ser mais parte de nós do que antes e incomodam menos; afinal de contas, tem mais gente por aí seguindo o mesmo caminho que um dia decidimos seguir, tentando tornar a vida diferente para que ela continue sendo a nossa vida; gente que não abre mão da liberdade de ser quem realmente se é, porque no fundo ama tanto a si mesmo que a idéia de se perder e ser moldado de outra forma desespera.