agosto 2007

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Dias Plenos

Já viveu um dia pleno? Um dos eventos mais difíceis, na minha opinião, de acontecer na vida. Existem dias bons, mas plenos, plenos mesmo, são difíceis de encontrar e de viver.

Mas o que é um dia pleno? É verdade que isso dá pano pra manga, como dizem; porque as opiniões podem ser muito distintas. O que eu chamo de dias plenos (posso falar só de mim) são dias em que todos os sentidos se manifestam por conta de alguma coisa ou alguém. Algo de tão bom, mas tão bom mesmo, acontece e é capaz de mudar a perspectiva de todo o resto; e essa coisa boa pode se materializar de várias formas, desde um “oi” lindo e inesperado até um bilhete premiado; e eu estou falando de extremos, é claro.

Um dia pleno é um dia em que toda cor se deixa ser vista; em que todo aroma é doce, fresco; em que todo som é suave: os de fora e os de dentro da alma e no fim, tudo se transforma em música. Um dia pleno é um dia em que toda palavra é uma esmeralda, que vem aprimorar a obra de arte que cada um constrói ao longo da vida; é um dia em que todo gosto se torna inesquecível e vai além do momento e em que toda testura está em harmonia com as mãos: agradável e perfeita.

Os dias plenos, dias repletos de sentidos e de sensibilidade, só existem por causa de tantos outros vazios e sem graça. Os dias plenos são tão sublimes que permitem sentir a beleza até onde não há nenhuma; fazem a gente voar com gaiola e tudo, simplesmente porque trazem essa capacidade; fazem da gaiola um detalhe quase imperceptível, insignificante. Afinal de contas, voar e sentir é mais fácil do que manter-se na gaiola das razões permanentes. Os dias plenos dão a alegria mais infantil, ridícula e indispensável que alguém pode experimentar.

Acho engraçada a superficialidade das pessoas de maneira geral. Muita gente se diz isenta de preconceitos, diz que não rotula ninguém. Essas pessoas não sabem, porém, o quanto é difícil ser isento e indiferente a algo, principalmente quando se trata de uma idéia há muito cristalizada na mente das pessoas.
sei que desse jeito parece complicado entender o que estou dizendo; a verdade é que estou profundamente triste, porque sou obrigada a conviver com gente que não se contenta em apenas referir-se aos outros pelos respectivos nomes, mas gosta de incrementar o tratamento com uma etiqueta nada gentil: o "viadinho", o "aleijado", entre outras qualificações que variam de acordo com a pessoa em questão. É como se os nomes não fossem suficientes; um paradoxo, ou melhor, uma inversão: um nome deveria caber numa mente. Essas mentes, entretanto, contentam-se em abrigar um rótulo; afinal de contas, esse é o único código que parecem entender. Isso me faz pensar e repensar o significado da palavra civilização. Ser isento de um preconceito, seja ele qual for, é muito difícil. Por isso é melhor ficar calado do que sair dizendo coisas com as quais não se pode arcar depois.