Descobrimento

Gisela dizia não acreditar em destino; ao contrário, dizia que tudo era mutável, as coisas iam-se transformando, cada um fazia sua própria história.

Dentro dela, porém, não era assim. Não sabia bem o que era seu e o que era dos outros; assim, dava tudo aos outros, restando-lhe apenas o vazio. O amor que tanto desejava não era seu, simplesmente nunca seria. Devia ser para outra pessoa, não para ela, porque o mundo queria assim. O destino dos outros, decidido bem antes que Gisela entrasse em cena, não permitia alterações. Sentia-se uma intrusa. Apossar-se do amor, aquele amor que começava dentro dela e expandia-se alheio a qualquer controle, era praticar uma maldade.

Mas isso, Gisela percebeu de súbito, não era ceder ao destino? Sim, era; era admitir a imutabilidade; era negar o próprio desejo.

De tanto olhar a vida de fora, não sabia mais lutar, sua consciência adormecera. Até aquele dia súbito, em que tudo fez sentido e a consciência exigiu que ela entrasse, para mudar o curso dos seus dias. Gisela pulava de alegria, finalmente; nada, nunca mais, seria igual. Ali estava uma mulher inteira, uma mulher como as outras, que merecia tudo que reservara só aos outros. E, embora não soubesse bem como, faria tudo diferente, pois agora, sentia-se incapaz, não de mudar, mas de negar-se.

  1. Karin Filgueira’s avatar

    Seus textos, me encantando como sempre!… Sabe, atualizei meu blog hj com uma super sugestão de filme, com cenas de encher os olhos. Vá até lá conferir!!! Bjs com carinho!!!

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  2. Roberta Cortez’s avatar

    obrigada! seu blog tb está lindo!
    o texto é maravilhoso.
    lá no meu, além de poemas eu faço críticas e ja postei contos; depois se kiser ler, sinta-se a vontade! =)

    e, bom..a mente humana eh capaz mesmo de criar coisas surreais. porém, aquela matéria é feita através de fatos. algo que ocorreu realmente. porém, impressionante!

    beijão, obrigada pela visita!
    se quiser linkar, me avisa, aí eu t linko tb!
    =****

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  3. mirianne’s avatar

    Gostei demais da conta de sua visita!
    Eu a conheci pelo blog Coisas da Gaveta num comentário que você fez. Eu o achei sensível, como é aqui no blog. :-)

    Quanto a “olhar a vida de fora”… acho que é um baque quando a barreira é quebrada e, de repente, a gente mergulha na eterna novela do dar/receber da vida. Aí receber é tão estranho quanto dar uma abertura pra receber. Mas, nhai, um passo para cada instante.

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  4. Roberta Cortez’s avatar

    imagina! =)
    aqui tb eh mt foda
    e esse texto à despeito de fragilidade..muito lindo!

    linkarei tb!
    =******

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  5. Priscila’s avatar

    Que coisa!
    Leio uma coisa mais bonita que a outra aqui neste seu blog!
    É gostoso sentir suas palavras tocarem o humano que mora em nós. Parabéns!

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  6. laís D'Andréa’s avatar

    Olá, Priscila
    Muito obrigada pelos elogios e pela visita. Volte e comente sempre!

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