Não Tão Doce

Quero que saiba, meu carneirinho, que não posso oferecer nada mais do que te ofereço agora. Posso me separar da minha mulher e dos meus filhos para nos casarmos, quer se casar comigo? Hem?… Mas isso também não significa esse para sempre que você tem o mau gosto de repetir. Já me casei umas quatro ou cinco vezes, esta seria a sexta ou sétima, nem sei!… É o que você quer? Não, não é, eu sei que não. Você quer ser amada como as heroínas dos livros da sua mãe. Quando na realidade o amor é tão simples… Veja-o como uma flor que nasce e que morre em seguida porque tem que morrer. Nada de querer guardar a flor dentro de um livro, não existe coisa mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou.

 

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Trecho do romance “Verão no Aquário“, de Lygia Fagundes Telles (uma de minhas escritoras favoritas). Se há alguém que tem lugar certo na lista seleta das pessoas que eu gostaria de conhecer, esse alguém é Lygia. Ela vai, na sua escrita, da delicadeza à realidade crua num piscar de olhos. Assim como todos somos capazes de ir; não só na escrita, mas na vida também.

  1. Cássia’s avatar

    Ai, essa doeu!

    Beijos doces e com carinho.

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  2. Roberta Cortez’s avatar

    perfeito esse texto!
    e naum conhecia lygia fagundes..^_^”

    ah! mt obrigada pelos elogios!
    eu resolvo escrever texto com relação a sentimento qd eu tô mt aberta a isso.

    beijão, boa semana
    =***

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  3. laís D'Andréa’s avatar

    Cássia, doeu mesmo. Esse livro tem trechos ótimos, a maioria deles no mesmo estilo. Mas sabe que dói justamente porque é verdade. Bom seria se o mundo e as pessoas fossem como nos nossos sonhos, não é?

    Roberta, recomendo que você conheça mais da Lygia. Ela é contista também; não li tudo ainda, mas há um em especial que me encanta, chamado “Herbarium”. Postei um trecho e o link para esse conto aqui mesmo no blogue, há muito, muito tempo. Mas você pode encontrá-lo facilmente na internet; no site da Academia Brasileira de Letras (www.academia.org.br), você encontra o conto na íntegra.

    E escrever sobre sentimentos exige de nós abertura. Tenho tantas coisas escritas e não publicadas, coisas que ainda não me sinto pronta para dividir com os outros; creio que todos sejam assim; os que escrevem e os que apenas pensam, sem colocar nada em palavras.

    Beijão nas duas!

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