As caixinhas enfileiravam-se por toda a prateleira, que tomava completamente a parede branca. Pequenas e grandes; de madeira, plástico, cartão; quadradas, redondas, ovais; brancas, cor-de-rosa, estampadas com flores. Eram diferentes, mas todas guardavam fragmentos de quem as colecionava. Ela amava suas caixas, a coleção de que nunca se desfaria; mas o que havia dentro delas eram objetos de um amor maior, que a enchiam até fazê-la transbordar de alegria e de saudade. Aqueles não eram fragmentos seus; eram parte daqueles que deixaram pedaços de si que, de tão perfeitos, encaixavam-se nela como se tivessem molde exclusivo. Entre tantas cores e formas, havia um coração; não era vermelho, era prateado. A única caixa trancada. Uma pequena fechadura destacava-se da parte frontal do coração. Era ali dentro que ela guardava os menores e mais preciosos bens; esses não eram de ninguém mais senão dela mesma. Eram pedras; ela sabia que, um dia, necessitariam delas tanto quanto ela necessitava dá-las para alguém. O rubi-oriental, ela guardava para os dias que precisasse encher de paixão; a esmeralda serviria para quando o amado precisasse de paz; seria a maneira que ela encontraria para lembrá-lo da esperança; o diamante bruto, o mais bem guardado, era a história que um dia começaria; demoraria a ser lapidado, a se tornar brilhante. Mas essa não seria uma tarefa só dela, ela precisaria de ajuda, uma ajuda que partiria de alguém que ainda viria. Seria o amado, merecedor daqueles tesouros; o amado, que possuía a pequena e única chave capaz de abrir o coração de prata.
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deixar o coração em caixas, como tesouros guardados. às vezes me pergunto se realmente é uma atitude sábia…
acho que os corações devem ser preservados, mas um coração preservado não marca tudo aquilo que sofremos, que vivemos.
mas o amor sempre terá a chave para libertá-lo.beijos.
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Bom dia Lais,
agradeço e retribuo sua visita no Jane Austen em português. Deixei um recadinho lá para você.
Um abraço, Raquel
PS: vi que na sua lista de desejos está Do leitor ao navegador, que tenho aqui em casa e está esgotado na Cultura. Dica: compre na livraria da Unesp.
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Lindo!
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Tão lindo!
Não tinha lido esse ainda.
Você escreve lindamente,como
poucos.

4 comentários
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