Amor em minúscula

Diz-se que os gatos são egoístas, quando, na realidade, são simplesmente espertos. Não vêm a você se podem fazer com que você vá a eles. Sua força reside em sua aparente indiferença. Preferem deixar-se amar a arriscar seus sentimentos deixando-os evidentes. Como bons taoístas que são, fazem sem fazer e governam sem governar. Limitam-se a manter sua dignidade e a se conduzir de acordo com seus caprichos. Não pedem carinho e por isso o obtêm sem pedi-lo. Os cães têm donos; os gatos, criados.

 

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Trecho de “Amor em Minúscula”, do espanhol Francesc Mirales, um dos livros mais graciosos que li este ano. Não é um livro sobre gatos, mas um gato, nesse livro, é personagem fundamental. Ele entra na vida de um homem sem pedir licença e vai transformando-a gradativa e surpreendentemente.

Difícil escolher um trecho para reproduzir aqui; o livro é cheio de frases de que gostei muito, além de muitas referências musicais, literárias e cinematográficas, sem com tudo isso tornar-se chato.

Escolhi o fragmento acima porque, apesar de não ter um gato, pela observação, concordo com o narrador. Há tanta gente precisando da dignidade com a qual os gatos já nascem…

Os melhores carinhos são aqueles que ganhamos sem pedir; a melhor vida que podemos levar é aquela que conquistamos com a força e o fôlego que vêm de nós, e não à custa de alguém. Não há nada mais belo do que conduzir-se com independência, mas sem prepotência, sabendo a hora certa de ir a alguém, não para poupar esforços, mas para completar o que de fato nos falta.

  1. Anonymous’s avatar

    Comprarei e lerei.
    Obrigado pela dica.

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  2. Ana Jácomo’s avatar

    Querida Laís, esse livro deve ser mesmo muito interessante…
    Ao longo da maior parte da minha vida, sempre tive cães, nunca tive gatos. Reflexo do trauma da minha mãe com um arranhão que levou de um deles quando era menina, ela tem a cicatriz até hoje. A velha história, conhecida nossa, dos medos herdados, que dizemos ter e alimentamos sem sequer questionar se nos cabem, se são parecidos com a gente.
    Mas, caminhando no seu texto, percebo que venho me construindo mais parecida com os gatos do que com os cães. “A melhor vida que podemos levar é aquela que conquistamos com a força e o fôlego que vêm de nós”, também acho. A nossa felicidade, o nosso bem-estar, não estão à mercê do movimento alheio. Já somos felizes e quando ganhamos, trocamos carinho, uau, é puro enriquecimento, perfume compartilhado, complemento, como diz, mas não a nossa base.
    Há uma grande diferença entre dependência e interdependência.
    Valeu a dica.
    Beijos pra você, com carinho.

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  3. cadeorevisor’s avatar

    E não é que ele tem razão mesmo! :-o
    Esses bichinhos são bem espertos, têm muito o que ensinar. Gosto de gatos, pena que tenho alergia.

    Beijo,

    Pablo
    http://cadeorevisor.wordpress.com

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  4. Roberta Cortez’s avatar

    Perfeito! O que vc escreveu foi magnífico, mas acho que pode aguçar o orgulho das pessoas. Vou ler este livro, fiquei com muita vontade!
    Só acho q estas características variam de pessoa pra pessoa, e nós deveríamos ser mais compreensivas para aquelas que não possuem.

    =***

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