O cotidiano rouba muitas coisas. A pior delas é a familiaridade com o que antes parecia tão simples, quase imperceptível de tão simples. Os mesmos acontecimentos vão preenchendo os dias, vão enchendo de nada as horas tão sagradas de cada volta da Terra sobre si mesma. Vem o tic tac do relógio perturbar o silêncio escasso. Vem o movimento, que exige de nós o fôlego, a resposta, o mecanismo. Vai-se o pensamento. Perdêmo-lo de vista, não o encontramos mais. Vai um pouco de nós com ele. Vão-se também as palavras; aquelas que nos transbordavam, que nos comunicavam, que nos traduziam e davam forma ao mundo. Subitamente, é fácil perceber: com tudo o que some, some também aquilo que nos alivia: a intimidade com as palavras.
-
faz um sentido enorme.
a gente conspira bastante com aquilo que rouba os dias. e, às vezes, é isso o “acalento” disponível.

1 comentário
Feed dos comentários deste artigo
Link trackback: http://www.agarotadaspalavras.com/2008/09/a-falta/trackback/