O abraço é o jeito que o corpo encontrou para não explodir de afeto.
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Era estranho ver tudo clareando depois de tanto tempo de bruma. Era estranho olhar para o jardim devastado e perceber que a água da chuva ia secando e que, em alguns cantos, surgiam discretos botões de flor. Naqueles dias, ela tinha o sol no coração; sol de raios tímidos que passavam, pouco a pouco, através das nuvens que teimavam em resistir e que ainda provocavam um medo irracional. ”Tudo eram estações”, ela dizia, tentando convencer-se de que tanto o sol quanto as chuvas iam e vinham. Vendo a própria paisagem se modificar, com lágrimas mistas de terror, alegria e perplexidade, ela enfim descobriu: não podia mais ser um jardim selvagem; precisava construir um abrigo, um porto seguro que a protegesse quando viessem as intempéries.
O aniversário é uma data mágica. Talvez seja o dia em que mais se colham os frutos plantados durante o ano, durante a vida inteira.
Por mais desencanto que haja, é no dia do seu aniversário que você descobre que as pessoas têm mais a lhe oferecer do que você imagina. Não falo de presentes, falo de afeto; um objeto, para ser presente, precisa carregar em si o afeto; este, porém, é suficiente se com ele não vier junto um objeto. Porque não existe bem material que substitua o significado de uma lembrança.
Amor é tudo que se pode sentir depois de mais um aniversário.
Incomoda-me um pouco a euforia coletiva que tomou conta do mundo, sobretudo dos EUA, em torno da eleição de Barack Obama, acontecimento importante que ganha luzes sem conta com a cobertura da imprensa.
Pode-se esperar quase tudo de um ser humano: integridade, respeito, compromisso. Mas salvação, certamente, de modo algum.
