Era estranho ver tudo clareando depois de tanto tempo de bruma. Era estranho olhar para o jardim devastado e perceber que a água da chuva ia secando e que, em alguns cantos, surgiam discretos botões de flor. Naqueles dias, ela tinha o sol no coração; sol de raios tímidos que passavam, pouco a pouco, através das nuvens que teimavam em resistir e que ainda provocavam um medo irracional. ”Tudo eram estações”, ela dizia, tentando convencer-se de que tanto o sol quanto as chuvas iam e vinham. Vendo a própria paisagem se modificar, com lágrimas mistas de terror, alegria e perplexidade, ela enfim descobriu: não podia mais ser um jardim selvagem; precisava construir um abrigo, um porto seguro que a protegesse quando viessem as intempéries.
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Eu me abriiiiiiiiiiiii de chorar agora…
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vêm e vão, como numa dança da vida. o rio das lágrimas, os rais de sol (talvez alegria). o rio. raios. aqui e ali. e um só porto seguro, feito de rios e raios; mas porto seguro.

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