janeiro 2009

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Um Pouco por Dia

Comecei 2009 aprendendo a beber a vida em pequenos goles. Há não muito tempo, eu seria capaz de projetá-la, elaborando planos e tendo idéias mirabolantes sobre o que seria ou não possível, estabelecendo limites para os meus próprios sonhos e desafios.

Chega o ano chamado novo e com ele vem a surpresa, o inesperado. Quando você vê por um fio a vida de alguém que ama, pode acreditar: algumas de suas concepções vão mudar de uma hora para outra. Você começa a tentar tirar de cada momento um pouco de vida, e o mais espantoso é que consegue fazer isso; faz até mesmo com a rotina que antes era tão maçante e perturbadora, transformando-a no seu conforto, no seu alívio. Alívio de, todos os dias, chegar em casa e encontrar as coisas do jeito que você as deixou antes de sair; alívio de poder conversar sobre amenidades sem culpa, só pelo prazer de não ter nada mais urgente com que se preocupar; alívio de ter sempre as mesmas chateações, tão corriqueiras como o seu mau humor.

Uma vida por um fio deixa a certeza de que nada nunca mais será da mesma forma, apesar de toda a capacidade de adaptação de um ser humano. Reinventamos as alegrias moldando-as às nossas tristezas, porque de outra forma seria impossível continuar no mundo. Desafio é fazer isso sem adquirir certo cinismo implacável, que nos gela só de pensar.

Há pessoas tão fantásticas que conseguem nos fazer refletir até quando estão com a vida por um fio, dando a nós lições preciosas, mesmo tendo freqüentado a escola durante pouquíssimos anos. É óbvio: diploma não é sinônimo de sabedoria.

Comecei 2009 aprendendo que viver intensamente é não encarar nenhum dia como perdido, por mais sem graça que ele pareça; pois lá está a vida em toda a sua plenitude, tão imperceptível que só conseguimos notar sua presença quando assistimos, sem nada poder fazer, à sua caminhada na corda bamba.

Mais 365 Dias

    No fim das contas, 2008 acabou e eu nem me despedi dele, pelo menos aqui. Na verdade, negligenciei este blogue nos últimos tempos, atitude da qual não me orgulho.

    A verdade é que ter um “blogue Frankenstein”, onde se escreve de tudo e não há assunto constante, não é fácil. São tantas idéias, tantos pensamentos e tantas palavras, que dá medo. Medo de tornar tudo heterogêneo demais, sem importância, sem unidade, sem corpo. Mas talvez esse seja o grande mérito – se é que há algum –, o traço que define e diferencia este espaço e que faz com que gente muito bacana, inclusive alguns desconhecidos, passem por aqui, voltem e insistam. Não é exagero dizer que é por isso que eu continuo, apesar de ser uma amadora; cada comentário é um incentivo, cada visita, ainda que silenciosa, é um estímulo.

    Não sei o que esperar de 2009, principalmente para este espaço. Prefiro contar com o imprevisível e seguir em paz, escrevendo para desabafar, criar, construir, traduzir, admirar, gritar, expor, dividir, mudar… Por mais 365 dias, os quais encaro como presentes; alguns evidentes, alguns sutis e ocultos, que custam a serem abertos e entendidos.

    O primeiro dia do ano chamado novo não muda as coisas, é só uma questão de calendário. Mas precisamos de ciclos, precisamos de fórmulas para controlar o tempo, algumas vezes tão amigo, outras tão traiçoeiro. E é por isso que divido aqui meu único desejo para os próximos 365 dias: seguir reconhecendo naqueles que fazem parte da minha vida, hoje e no futuro, uma dádiva e uma preciosidade singular.