março 2009

Você está navegando pelos arquivos de março 2009.

Vi a brincadeira em diversos blogues, como o lendo.org, o Cadê o Revisor?, o Livros e Afins e o Carambolas Azuis. Como sou uma leitora compulsiva, não resisti e trouxe-a para cá; se você quiser, pode fazer a lista em seu blogue também.

1. Não gosto de ler poemas. Não tenho um livro sequer desse gênero na minha estante; acho que me falta paciência para tanta abstração.

2. Gosto mesmo é de ler ficção. Não importa se é romance ou conto, uma boa história me atrai.

3. Não consigo ler mais de um livro simultaneamente. Para uma leitura valer a pena, ela precisa ser feita sem que os ecos de nenhuma outra ressoem pela minha cabeça.

4. Leio no computador.

5. Compro livros pelo título; até hoje, não me arrependi.

6. Leio mais livros escritos por mulheres do que por homens. Não, não sou feminista, é uma questão de identificação.

7. Passo horas nos sites das livrarias até decidir o que vou comprar.

8. Tenho uma lista de presentes enorme, que serve tanto para eu não me esquecer dos livros que quero comprar quanto para que meus amigos (e leitores) se sintam à vontade para me presentear.

9. Não gosto de comprar livros usados.

10. Tenho ciúme dos meus livros; empresto, mas, se me devolverem com a capa ou as páginas amassadas, vai ter encrenca.

11. Não tenho paciência para ler biografias.

12. Adoro livros de bolso.

13. Se vou a uma livraria e não compro nada, fico com uma sensação de vazio.

14. Seria extremamente feliz vendendo livros.

15. Lia os livros da faculdade de letras sem reclamar.

16. Tenho lido mais intensamente de uns cinco anos para cá.

17. Sempre que começo a ler um livro, procuro na ficha técnica o revisor.

18. Gosto de ler sobre a arte de escrever.

19. Prefiro ler de madrugada, quando não há tantos ruídos.

20. É ridículo, mas sou influenciada por resenhas de outros leitores.

21. Quando termino um livro, já começo outro. Não consigo ficar sem ler nada.

22. Às vezes, relaciono certos acontecimentos da minha vida a situações que li em livros.

23. Quero namorar e casar com alguém que goste tanto de livros quanto eu. Compartilhar leituras, dividir a biblioteca, ler em voz alta um para o outro e conversar muito sobre livros. Perfeito!

Há pessoas que só acreditam que algo é verdadeiro quando não há simplicidade. Para essas pessoas, um fato não pode ser verdadeiro se for simples demais. Por isso, torna-se difícil acreditar nas palavras de alguém que não tem segundas intenções, que não se aproveita de subterfúgios para se relacionar.

A cada dia, estou mais convencida de que o julgamento realmente não é algo bom de se fazer. Não porque minha natureza não goste de julgar; a minha, como a da maioria dos seres humanos, gosta, e muito. O problema começa quando somos obrigados a lidar com o outro lado da moeda. Quando alguém coloca suas ações e intenções dentro de uma caixinha e as molda exatamente como gostaria que elas fossem, destrói todo um mar de coisas que não conhece; ignora seu jeito de levar a vida, suas observações, distrações, escolhas e preferências.

É difícil aceitar que há pontos de vista diferentes; é difícil compreender que o outro não entende as coisas como você ou a maioria entende, ou simplesmente que o outro não percebe certas coisas.

Suponha que você está diante de uma discussão, da qual participam duas pessoas, A e B, e que é presenciada por um grupo relativamente grande. Em determinado momento, A, para se defender da acusação de B, referente a algo que A havia dito, pergunta a você: “Você me ouviu dizer isso?” Ao que você responde “Não, eu não ouvi”. Você não faz isso para defender A, faz somente porque de fato não ouviu nada; estava prestando atenção a algo mais, distante da discussão e do grupo; você simplesmente se “desligou” daquela atmosfera desagradável. As pessoas ao redor olham com espanto para você, como se dissessem “Como você não ouviu? está tão claro!”, mas você não pode fazer nada; a verdade é a verdade e pronto. Todos estão cientes do que foi dito e do que não foi, mais cientes do que você. Porém, ninguém tem coragem suficiente para dizer uma palavra; todos só têm coragem de te julgar sem palavras, de duvidar da única verdade que você consegue dizer. Cada qual o coloca em sua caixinha de modelar, tentando igualar suas atitudes àquelas que eles talvez tivessem, estabelecendo seus próprios parâmetros.

Se você opta por não julgar, isso não significa que acredita em tudo o que lhe disserem; significa somente que você sabe que, fora de você, há mil pontos de vista e nuances que fogem ao seu controle e conhecimento.

Do que se perdeu

Poderia ter sido bom.

Poderia ter sido uma experiência a mais.

Poderia estar acontecendo agora.

Poderia ser mais uma gota de felicidade no meio de tanta aridez.

Poderia ser uma amizade sincera.

Mas o medo nos paralisa, não adianta. Às vezes, nos trava.

Achamos melhor deixar para lá, deixar para depois, para trás.

Mas o que deixamos para trás dificilmente fica lá.

A coisa nos acompanha, o velho fantasma do “e se eu tivesse feito diferente?” parece nunca ter descanso. De vez em quando, na queda de braço, conseguimos fazê-lo cair e calar por algum tempo; porém, ele sempre volta.

Um e-mail antigo, encontrado entre tantos bytes sem importância, guardado sabe-se lá por qual mistério, nos faz entender que já se passou muito tempo; que tentar recuperar o tempo perdido é banalidade; que o mundo já deu milhares de voltas; que agora, o que nos resta são nossas próprias escolhas, felizes ou não.

O Quase fim

Este blogue quase acabou. Quem passou por aqui nos últimos dois meses deve ter pensado assim, e confesso que para mim ele quase acabou mesmo. tive ímpetos de deletá-lo, de começar tudo de novo em outro lugar. Quanto mais eu penso, mais eu me dou conta de que mudar é um despropósito. São mais de dois anos de textos emotivos e racionais, de lágrimas e sorrisos, de dicas e toques sobre coisas de que gosto e finalmente de comentários muito especiais.

Queria mudar minha escrita, fazer do blogue algo mais “profissional”. Mas hoje aconteceu algo que me fez continuar por aqui.

Semana passada, formatei meu computador. Antes, existe todo aquele processo chato de salvar os arquivos para que nada se perca. Salvei minhas músicas, mas cometi um erro: esqueci de salvar os documentos! Então, com a formatação, todos os meus textos escritos para este blogue até então se foram e agora só existem aqui. Assim, não me resta alternativa senão continuar. E se mudar, será aqui mesmo; será com todos os textos já publicados, gostando deles ou não.

Creio que o maior desafio de um autor seja superar a vergonha do que já foi escrito. Porque se existem textos que são eternos, existem também alguns que, após certo tempo, já não cabem mais, não se encaixam mais em lugar nenhum. Mas vou enfrentar o desafio e, quando olhar para o passado deste blogue, terei uma bela coleção de memórias.