Hoje eu seria capaz de abraçar você com a mesma intensidade com que o repeli da minha vida. Ainda que eu tenha um medo atroz de tocar você, queimar minhas mãos e meu corpo inteiro, saudade não é algo que se deixa de sentir assim, de uma vez. Para mim era insuportável conviver com a distância que você educadamente estabelecia entre nós; nunca deixou que eu me aproximasse muito, eu entrevia somente o que você queria mostrar. Eu era uma pequena parte, uma peça periférica, o detalhe para o qual você virava as costas quando bem entendia. Eu dissimulava, negando quando queria afirmar, escondendo quando queria revelar Eu lutava por um espaço que não era meu; Almejava o papel de protagonista de uma história na qual não havia lugar para mim. O lugar que eu mais desejava era de outra pessoa: alguém incomum, sublime, doce. Construí uma parede entre nós, isolei-me e esqueci você do outro lado, mesmo não sabendo qual a sua consciência desses meus atos… Egoístas? Não, eu não diria isso; diria que eles são apenas mecanismos de autopreservação. Embora tivesse muitas vezes a impressão de que você sabia, sempre soube de tudo, entendia que eu sentia errado, bem mais do que cabia a uma amizade politicamente correta, eu tinha (e ainda tenho) medo de ultrapassar a fronteira e romper a linha tão frágil que nos une. Na verdade, eu gostaria que você tivesse detectado o que acontecia dentro de mim; e que me dissesse, em alto e bom som: “Eu sei!” Sem explicações, sem mais palavras para clarear o que já é luminoso. Nada me deixaria mais feliz; aliviaria minha bagagem, permitiria que eu deixasse para trás o peso que carrego sozinha, o fardo das coisas belas que não são e nunca serão. Assim, quem sabe, eu poderei ir em frente, seguir por outras trilhas e demolir essa barreira, esse obstáculo que me dá, ao mesmo tempo, tanta segurança e tanto desalento.
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Lindo texto e eu ainda que conseguisse construir uma barreira adoraria ter essa clareza de sentimentos vividos e não vividos, mas o caos reina.
Seu texto poderia se tornar uma letra de música maravilhosa.
Bjo
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Lais, amei seu texto, tão verdadeiro, tão intendo e como disse Michele com clareza de sentir, mesmo achando que sentia errado, talvez o errado seja não sentir. beijos da janela
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Querida, tem uma frase que eu costumo lembrar sempre: “Não faça a sua felicidade depender do que não depende de você”.
Então, se o camarada nunca sinalizou que sabia, fazia-se de desentendido, cabe a você deixá-lo para trás e seguir para frente.
Eu acredito que é possível construir uma nova hitória, mas para isso temos que “deixar amorosamente o passado para trás”. Fundamental, a fonte da felicidade.
Vai atrás disso e esquece isso! Faz parte do passado! Beijos -
Michele,
Não tinha pensado na possibilidade da letra de música. desde que não seja música brega, que eu particularmente não aprecio, tudo bem!Clarice, às vezes sentir dá tanto trabalho e causa tanta dor que a gente acha que sente mesmo errado, principalmente quando nadamos contra a maré.
Valéria, eu acredito que as palavras libertam; e libertam completamente quando são exteriorizadas. Algumas coisas têm mesmo de ser deixadas para trás; permanecer com elas é insensatez. Gostei demais dessa frase de que você sempre se lembra. Acho que a partir de hoje eu vou me lembrar bastante dela também.
Beijo a todas!

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