Eu gosto de encontros. Não de encontros marcados, mas de encontros espontâneos. Aqueles que acontecem sem que a gente perceba, como se não fosse um encontro, como se não fosse nada. Aconteceu ontem, hoje nem nos lembramos mais; só amanhã entenderemos que não poderia ter sido melhor.
Os melhores amigos não são aqueles que se conhecem com a intenção de serem amigos; são os que se cruzam sem querer, quase por acidente; pode ser na calçada, na sala de aula, entre as letras de um monitor. Os amores mais intensos são aqueles que nascem não se sabe de que semente, mas crescem tão rápido que temos a impressão de ter vivido com eles desde sempre.
Há quem goste de ordenar as coisas, de "facilitar" os relacionamentos; não pode ver duas almas caminhando sozinhas; na primeira oportunidade, resolve, com as melhores intenções do mundo (e isso é indiscutível), uni-las, porque, afinal de contas, os dois são tão parecidos! Fariam bem um para o outro.
Pessoalmente, desconfio desse tipo de iniciativa; não que aquele que une esteja agindo de má fé; como eu já disse, as boas intenções são indiscutíveis. O problema é que um "encontro marcado" assim quebra todo o encanto, tira todo o magnetismo de uma situação que, se vivida com naturalidade, poderia dar frutos bons e legítimos. É claro que há histórias e histórias, mas as melhores que presenciei e vivi aconteceram com o passar dos dias.
Gosto de apostar nas improbabilidades, elas são meu vício. Se cada história pode trazer dor, sofrimento e lágrimas, por que não pode vir embrulhada para presente, até com uma felicidade inédita?
Esse otimismo parece até infantil, coisa de livro de autoajuda. Embora eu não goste de autoajuda e já tenha passado da idade de brincar de boneca, o otimismo me persegue, me ajuda a andar quando penso nem ter mais pernas. Não quero dar aqui dicas de motivação, nem fazer uma coleção de tolices empilhadas num post de blogue. Quero apenas registrar que não se pode parar. Porque nunca se sabe qual a surpresa que os dias reservam e o que há escondido de mais bonito em todas as pessoas, todos os amigos e amores a serem encontrados por aí.
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Excelente. Perfeito. Improvável? Não! Surpreendente. Tudo o que eu precisava ler hoje cedo. Brigadão demais da conta.
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ah não. não é dica de motivação e nem tolice. é a realidade que a gente às vezes não consegue ver, mas que está ali: espontaneidade e movimento de vida.
um abraço, minha cara. -
O poetinha já disse “a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Texto muito bom, gostoso de ler, como um encontro espontâneo.
beijos da janela -
Acabei me lembrando do filme Um beijo roubado. O encontro dos protagonistas foi assim, sem maiores expectativas, mas ele sempre esteve lá, precisava apenas ser encontrado.
Sem mencionar a quantidade de pessoas com as quais nos encontramos e que fazem a diferença mesmo quando não permanecem conosco.Obrigada!!
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Passando pra conhecer!!
Bjs otimo final de semana -
Tom, eu quase não publiquei esse texto. Publiquei com certa insegurança. Bom saber que serviu para você.
Mirianne, você tem razão; espontaneidade é que dá o real movimento da vida. Gostei!
Clarice, ainda bem que os desencontros não tomam o lugar dos encontros, né? Eles existem, mas não são definitivos!
Michele, eu não tinha pensado no filme “Um Beijo Roubado”, mas você tem toda a razão. O filme é lindo, vale muito a pena e talvez por isso, pelo encontro tão casual, tão sem expectativas, seja tão belo e tão maduro.
Dri, espero que tenha gostado do que viu aqui. Volte sempre que quiser.
Um grande beijo a todos!

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