maio 2009

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O Tesouro

Um tesouro continua sendo um tesouro mesmo que escondido.

Mesmo que os dias presentes ofusquem seu valor.

Mesmo que, com os olhos embaçados, não lhe creditem o brilho que ele tem.

Mesmo que não se saiba o que fazer com tanta riqueza rejeitada.

E porque é um tesouro, ainda se mantém sem perder o valor, apesar das portas fechadas e do esquecimento.

Não sou muito adepta de datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das crianças, etc. Naturalmente, podem ser boas ocasiões para que familiares distantes se lembrem dos seus e eventualmente para que se aproximem um pouco das pessoas queridas. No entanto, não consigo deixar de pensar que essas datas trazem um quê de hipocrisia.

 

Na última sexta-feira, ao abrir o e-mail que utilizo na empresa onde trabalho, deparei com uma mensagem em homenagem às mães intitulada “Mãe, sempre perto de você!”. Resolvi conferir, por pura curiosidade, embora não esperasse muitas surpresas. Realmente não tive surpresas: uma animação bem produzida, com uma música de fundo e um texto cheio de clichês e de palavras bonitas.

 

Tive uma sensação muito desagradável após ler a mensagem. Fiquei pensando nos funcionários da empresa que por alguma razão não têm alguém para chamar de mãe ou para quem a palavra não significa absolutamente nada, visto que nem toda mãe é o modelo de amor, carinho e dedicação propagado neste período.

Quem dera todas as famílias fossem ideais; todos os filhos pudessem contar com suas mães, e que todas as mães pudessem ter seus filhos para abraçá-las, não só no Dia das Mães, mas nos aniversários, nas noites de Natal ou em qualquer dia, porque dias comuns também devem ser celebrados.

 

A atmosfera em que a maioria de nós fica envolta em datas como a de hoje nos empurra para a felicidade; faz-nos acreditar que a alegria está logo ali. E se você por acaso não tiver com quem se confraternizar, isso não é problema de mais ninguém; o que importa é consumir. E se você tiver alguém para abraçar e não tiver dinheiro para comprar um “bom presente”, corre grande risco de ficar frustrado e pedir desculpas pelo transtorno.

 

Se você tem sua mãe no dia de hoje, não hesite em dar a ela o que seu coração manda. Se houver um presente material, ótimo; se não houver… Bem, não creio que isso seja um problema, principalmente se você tiver um bocado de carinho e verdade para oferecer. Por outro lado, se sua mãe não está presente, lembre-se: o dia de hoje é só uma data instituída, e a perfeição dos comerciais de tevê simplesmente não existe.

"Os momentos não chegam nunca tarde nem cedo, chegam à hora deles, não à nossa, não temos de agradecer-lhes as coincidências, quando ocorram, entre o que tinham para propor e o que nós necessitávamos."

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Trecho de “A Caverna”, livro de José Saramago. Sim, as palavras alheias têm me estimulado ultimamente.

Encontrei o fragmento no ótimo Mob de Leitura, um projeto cujo objetivo é incentivar o convívio com os livros de uma forma leve e inteligente. Além do blogue, vale a pena seguir o mob no Twitter e participar da comunidade no Orkut. Porque, como disse o poeta Mário Quintana, Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Livros só mudam pessoas.