Um dia, alguém me disse que, para parar de reclamar da vida, bastava fazer duas listas: uma com as coisas que trazem alegria e satisfação, outra com tudo o que é necessário mudar ou que traz tristeza. Segundo meu conselheiro, a lista com as coisas boas seria infinitamente maior do que aquela contendo as aflições, apesar de tudo.
Isso já faz alguns anos. Apenas hoje decidi tentar seguir o conselho. O que parecia simples transformou-se numa tarefa quase impossível. Começando a pensar nas diversas áreas desse labirinto a que chamamos vida, percebi que não são necessárias duas listas, mas muitas e muitas: gostos e desgostos na família, no trabalho, em mim, no mundo. É fato: absolutamente tudo tem dois lados.
Não fiz as várias listas que julguei imprescindíveis; por isso, não sei a quantidade de delícias e de agruras presentes em cada uma delas. Possivelmente, não fiz porque não fui capaz de fazer.
Descobri que não é uma questão de infelicidade, mas de instabilidade: o que me faz cantar hoje já foi motivo de choro num outro dia, do qual prefiro não me lembrar. É por isso que estimo instáveis como eu; é por isso que parei de questionar, de exigir; em vez disso, prefiro amar.