literatura

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"Os momentos não chegam nunca tarde nem cedo, chegam à hora deles, não à nossa, não temos de agradecer-lhes as coincidências, quando ocorram, entre o que tinham para propor e o que nós necessitávamos."

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Trecho de “A Caverna”, livro de José Saramago. Sim, as palavras alheias têm me estimulado ultimamente.

Encontrei o fragmento no ótimo Mob de Leitura, um projeto cujo objetivo é incentivar o convívio com os livros de uma forma leve e inteligente. Além do blogue, vale a pena seguir o mob no Twitter e participar da comunidade no Orkut. Porque, como disse o poeta Mário Quintana, Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Livros só mudam pessoas.

Era fiel ao corpo dela, só isso. Para Martin, o corpo de Solly era como uma cidadezinha que, com o tempo, havia se espalhado e crescido até se transformar em um centro agitado, atravessado por novas ruas e empreendimentos imobiliários modernos, alguns deles bem feios. Havia mudado, mas era onde ele morava.

Trecho de “Arlington Park”, de Rachel Cusk.

Esse fragmento, em meio a um texto que relata o cotidiano de cinco mulheres entediadas e frustradas com suas vidas, é uma demonstração de amor. Não daquele amor que explode, que transborda os ambientes; não daquele amor que estamos acostumados a ver nos filmes e a ler em alguns livros. Mas de um amor tranquilo, que resiste e que não faz alarde para ser visto; ele simplesmente existe.

Encontro de Final de Ano

Acontecerá amanhã, 14 de dezembro, o encontro de final de ano dos membros da comunidade Lygia Fagundes Telles. O encontro será virtual, via MSN. Cada participante deverá escolher um personagem de algum romance ou conto de Lygia e agir, no bate-papo, como se fosse o escolhido, sem que se descubra quem está por trás deste. Gostei bastante da idéia e, como sou fã de Lygia, é claro que estarei lá, embora ainda tenha dúvidas sobre quem escolherei para representar.

Se você quiser participar, poderá encontrar mais informações aqui.

E viva os grupos literários!

A Grande Disputa

Fiquei feliz ao saber que finalmente começou a Copa de Literatura Brasileira 2008, uma idéia do blogueiro Lucas Murtinho, concretizada ano passado. A copa é uma competição que começa com 16 livros (todos romances brasileiros publicados no ano anterior), em que estes se enfrentam como em qualquer campeonato: o perdedor é eliminado; o vencedor passa para a próxima fase e compete com o vencedor do jogo seguinte.

Tive a sorte de conhecer a copa no ano de estréia; não acompanhei os jogos, porque descobri a “brincadeira” nos momentos finais; mas fiz questão de ler cada partida e de inteirar-me de cada decisão dos jurados (alguns escritores e blogueiros que falam de literatura). Gostei da idéia porque, além de ter contato com obras recentes, algumas praticamente desconhecidas do público em geral, os leitores do site podem ajudar a escolher os livros participantes das eliminatórias.

Este ano, já aconteceram dois jogos, e eu estou louca para ver o que virá. Além do link colocado neste post, a Copa de Literatura Brasileira também estará ali na lista de blogues que valem a pena.

Diz-se que os gatos são egoístas, quando, na realidade, são simplesmente espertos. Não vêm a você se podem fazer com que você vá a eles. Sua força reside em sua aparente indiferença. Preferem deixar-se amar a arriscar seus sentimentos deixando-os evidentes. Como bons taoístas que são, fazem sem fazer e governam sem governar. Limitam-se a manter sua dignidade e a se conduzir de acordo com seus caprichos. Não pedem carinho e por isso o obtêm sem pedi-lo. Os cães têm donos; os gatos, criados.

 

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Trecho de “Amor em Minúscula”, do espanhol Francesc Mirales, um dos livros mais graciosos que li este ano. Não é um livro sobre gatos, mas um gato, nesse livro, é personagem fundamental. Ele entra na vida de um homem sem pedir licença e vai transformando-a gradativa e surpreendentemente.

Difícil escolher um trecho para reproduzir aqui; o livro é cheio de frases de que gostei muito, além de muitas referências musicais, literárias e cinematográficas, sem com tudo isso tornar-se chato.

Escolhi o fragmento acima porque, apesar de não ter um gato, pela observação, concordo com o narrador. Há tanta gente precisando da dignidade com a qual os gatos já nascem…

Os melhores carinhos são aqueles que ganhamos sem pedir; a melhor vida que podemos levar é aquela que conquistamos com a força e o fôlego que vêm de nós, e não à custa de alguém. Não há nada mais belo do que conduzir-se com independência, mas sem prepotência, sabendo a hora certa de ir a alguém, não para poupar esforços, mas para completar o que de fato nos falta.