Diz-se que os gatos são egoístas, quando, na realidade, são simplesmente espertos. Não vêm a você se podem fazer com que você vá a eles. Sua força reside em sua aparente indiferença. Preferem deixar-se amar a arriscar seus sentimentos deixando-os evidentes. Como bons taoístas que são, fazem sem fazer e governam sem governar. Limitam-se a manter sua dignidade e a se conduzir de acordo com seus caprichos. Não pedem carinho e por isso o obtêm sem pedi-lo. Os cães têm donos; os gatos, criados.
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Trecho de “Amor em Minúscula”, do espanhol Francesc Mirales, um dos livros mais graciosos que li este ano. Não é um livro sobre gatos, mas um gato, nesse livro, é personagem fundamental. Ele entra na vida de um homem sem pedir licença e vai transformando-a gradativa e surpreendentemente.
Difícil escolher um trecho para reproduzir aqui; o livro é cheio de frases de que gostei muito, além de muitas referências musicais, literárias e cinematográficas, sem com tudo isso tornar-se chato.
Escolhi o fragmento acima porque, apesar de não ter um gato, pela observação, concordo com o narrador. Há tanta gente precisando da dignidade com a qual os gatos já nascem…
Os melhores carinhos são aqueles que ganhamos sem pedir; a melhor vida que podemos levar é aquela que conquistamos com a força e o fôlego que vêm de nós, e não à custa de alguém. Não há nada mais belo do que conduzir-se com independência, mas sem prepotência, sabendo a hora certa de ir a alguém, não para poupar esforços, mas para completar o que de fato nos falta.