outras palavras

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A árvore é reconhecida pelos frutos; pois é claro que a árvore também se deixa reconhecer pelas folhas, o fruto, porém, é o sinal essencial. Por isso, se reconhecesses pelas folhas que uma árvore é tal ou qual, mas descobrisses na época dos frutos que ela não produz nenhum fruto: com isso reconhecerias que esta propriamente não era aquela árvore pela qual se fazia passar graças às folhas. É justamente assim também o que se dá com a cognoscibilidade do amor. O apóstolo João diz (1jo 3,18): “Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e em verdade.” E com que deveríamos melhor comparar este amor das palavras e das maneiras de falar, senão com as folhas das árvores; pois também a palavra e a expressão e as invenções da linguagem podem ser um sinal para o amor, mas um sinal incerto. A mesma palavra pode ser, na boca de alguém, tão rica de conteúdo, tão confiável, e na boca de um outro ser como o murmúrio indeterminado das folhas; a mesma palavra pode, na boca de uma pessoa, ser como o “grão abençoado que nutre”, e na de outra, como a beleza infecunda da folha. Não deves por causa disso, contudo, reter a palavra nem tampouco deves ocultar a emoção visível, quando ela é verdadeira; pois tal comportamento pode até significar cometer uma injustiça por desamor, como quando se recusa a alguém algo que lhe pertence. Teu amigo, tua amada, tua criança, ou qualquer pessoa que seja objeto de teu amor tem um direito a que tu o exprimas também com palavras, quando o amor te comove realmente em teu interior. A emoção não é propriedade tua, mas sim do outro, e sua expressão lhe cabe por direito, dado que na emoção tu pertences àquele que te comove, e te tornas consciente de que pertences a essa pessoa. Quando o coração está repleto, não deves, invejoso, altivo, prejudicando o outro, ofendê-lo pelo silêncio, com os lábios cerrados; deves deixar a boca falar da abundância do coração; não deves envergonhar-te de teu sentimento e ainda menos de dar com justiça a cada um o que é seu.

Trecho do livro “As Obras do Amor”, de Soren Kierkegaard. Tenho a impressão de que ele será citado por aqui mais vezes, já que comecei a leitura ontem. Os grifos desse trecho são meus.

Eu costumo dizer que amor que não é demonstrado, mas apenas dito, é incompleto (por isso foi grande a minha alegria ao ler essas palavras). Mas creio que poucas coisas são tão boas quanto receber e lançar palavras que vêm de um amor verdadeiro: como aprendiz do amor, é bom distribuí-las, para que não envelheçam, e recebê-las, para sentir alento. Porque é a alegria da troca que faz o significado dos dias.

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Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.

 

Trecho de “Um Mundo num Grão de Areia”, de Rubem Alves.

Até pouco tempo eu não gostava de correr riscos. Porém, quando deixei o medo de lado e passei a valorizar o amor que tenho pela vida e pelas pessoas, passei também a experimentar uma felicidade que desconhecia.

 

 

A citação eu peguei do blog do Laion Monteiro; o moço tem bom gosto para escolher o que posta lá.

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Muitos anos antes de sua morte, um notável rabino, Abraham Joshua Heschel, sofreu um ataque do coração quase fatal. Seu melhor amigo estava ao lado de seu leito. Heschel estava tão fraco que só conseguiu sussurrar:

Sam, sou grato pela minha vida, por todos os momentos que vivi. Estou pronto para partir. Vi tantos milagres na minha vida.

O velho rabino ficou esgotado pelo seu esforço em falar. Depois de uma longa pausa ele disse:

Sam, nunca na minha vida pedi a Deus sucesso, sabedoria, poder ou fama. Pedi assombro, e ele me concedeu.

Brennan Manning, em O Evangelho Maltrapilho

Esta também tem sido minha oração constante: que me seja concedido o assombro diante da vida. Não falo do assombro que atemoriza, do medo paralisante; falo do assombro que emociona, manifesto no sorriso diante do sol que esquenta o dia ou da chuva que o refresca; na surpresa em descobrir, em meio ao asfalto, as flores perfumadas de que tanto gosto; nas lágrimas de alegria que respondem a uma declaração de amor sincera; na beleza de me ver diante de duas pessoas que se amam; na simplicidade da conversa capaz de construir laços de amizade para o resto da vida; na habilidade de encontrar sentido nas palavras escritas por outra pessoa; no conforto que trazem as notas harmonizadas de uma música; na disposição alegre em ajudar quem precisa de mim; na certeza de que o mundo não é feito só de tristezas, quando as pessoas se auxiliam e se respeitam.

Pois sem o assombro eu me torno insensível; não consigo perceber a delicadeza em meio às calamidades, minhas e do mundo; não posso sentir em cada gesto humano a presença do Deus que não vejo, mas em quem creio, pelo simples fato de não acreditar que o universo se encerra na finitude dos pensamentos dos homens.

Uma vida sem assombro é uma vida que não sabe celebrar. Por isso, ainda que nem tudo seja como eu quero (e quase nada é), continuo pedindo – a Deus e à minha própria alma – que me seja concedida a graça do assombro de cada dia.

Arma Poderosa

Capa de "o Jogo do Anjo"

De uma das melhores leituras que fiz este ano: O jogo do Anjo, escrito por Carlos Ruiz Zafón:

 

O talento natural é como a força de um atleta. Alguém pode nascer com maior ou menor capacidade, mas ninguém chega a ser um atleta simplesmente porque nasceu alto, forte ou rápido. O que faz o atleta, ou o artista, é o trabalho, o domínio do ofício e a técnica. A inteligência inata é simplesmente munição. Para chegar a fazer alguma coisa com ela é necessário transformar sua mente numa arma de precisão.

"Os momentos não chegam nunca tarde nem cedo, chegam à hora deles, não à nossa, não temos de agradecer-lhes as coincidências, quando ocorram, entre o que tinham para propor e o que nós necessitávamos."

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Trecho de “A Caverna”, livro de José Saramago. Sim, as palavras alheias têm me estimulado ultimamente.

Encontrei o fragmento no ótimo Mob de Leitura, um projeto cujo objetivo é incentivar o convívio com os livros de uma forma leve e inteligente. Além do blogue, vale a pena seguir o mob no Twitter e participar da comunidade no Orkut. Porque, como disse o poeta Mário Quintana, Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Livros só mudam pessoas.

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