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Descobri o curta “Tarantino’s Mind” meio tardiamente; lamento não tê-lo feito antes. Para quem gosta da obra de Quentin Tarantino, o curta, dirigido pelo coletivo 300ml e produzido pela Republica Filmes, é diversão garantida. Para mim, juntou a fome com a vontade de comer; afinal de contas, não é todo dia que produzem um filme (ainda que seja um curta) sobre um dos melhores diretores de cinema do mundo, com um dos mais talentosos atores brasileiros de nossos dias (ainda não assisti a nenhuma atuação sua de que não tenha gostado) e uma das mais gratas surpresas cinematográficas que já tive.

Se você é fã de Tarantino e gosta de teorias da conspiração, divirta-se, o filminho é brilhante; se não conhece obras-primas como Pulp Fiction e Kill
Bill (só para citar os meus favoritos), aproveite o feriado e dê uma chance ao incomum.

2008 já deu seus primeiros passos, e eu não queria iniciá-lo aqui com textos reflexivos. Pensando nisso, resolvi falar sobre algo que muito me agrada: o mundo do entretenimento.

Não gosto muito de “apostar” em quem serão os artistas do ano; fico bastante irritada com títulos de matérias do tipo coisas que você precisa ouvir em 2008. Porém, abri uma exceção para uma lista que o Zeca Camargo, apresentador do “Fantástico” e profundo conhecedor de música, fez em seu blogue enumerando os 12 melhores discos que você não ouviu no ano de 2007. Como eu realmente não fazia a mínima idéia de que os artistas citados no texto existiam, e como a música é parte essencial da minha vida desde sempre, fica para 2008 a descoberta de coisas que vão muito além do trivial a que nos acostumamos toda vez que ligamos o rádio; músicas em sua maioria de fórmula pronta, que de tanto ouvirmos, acabamos gostando.

Esta semana, notícias muito bacanas têm circulado pelos sites e colunas de entretenimento. Gostei bastante de uma em especial: o Radiohead está liderando o ranking britânico de vendas de discos; não, não se trata do álbum para download, que nem está mais disponível no site que a banda criou para promovê-lo. Trata-se, no entanto, do álbum físico; sim, ao contrário do que muita gente pensa, há pessoas que compram cds, e a indústria fonográfica não está ameaçada pela “praga” que é a “pirataria virtual”, como as gravadoras gostam de salientar. O Radiohead inovou; arriscou, pelo fato de permitir que os fãs escolhessem quanto queriam pagar pelo download de “In Rainbows”. Por isso mesmo, se deu muito, muito bem; e provou que o argumento das grandes gravadoras, de que a Internet ameaça o mercado da música, é infundado; precisa-se somente de um pouco de inteligência para que todos ganhem.

É claro que minha satisfação pela notícia sobre o Radiohead tem um quê de tietagem (sou fã da banda desde meus nove anos de idade, época em que eles lançaram seu primeiro disco — “Pablo Honey” —, entre cujas faixas está a já clássica “Creep”); mas não há como negar a importância e a notoriedade que a banda tem conquistado por causa do que decidiu fazer com “In Rainbows”.

E amanhã é o dia que eu venho aguardando com ansiedade: o dia em que estréia oficialmente “Desejo e Reparação”, filme baseado no romance quase homônimo escrito por Ian mcewan, meu atual escritor favorito. “Reparação”, o romance, é belíssimo. Mais que uma história de amor recheada de drama e sofrimento, é um retrato bastante realista da mente humana, revelando seus defeitos e virtudes; não fosse isso, além da capacidade do autor de construir uma narrativa consistente e detalhada em que é possível visualizar cada cena, a história seria banal. O que eu mais gosto em “Reparação”, porém, é a demonstração da teoria do caos que ele faz — de forma brilhante, diga-se de passagem. Uma sucessão de mal-entendidos, que começa por causa da imaturidade de alguém, provoca uma catástrofe na vida de muitos; daí ser necessária a reparação.

O filme, dirigido por Joe Wright, o mesmo de “Orgulho e Preconceito”, foi aprovado por Mcewan; já é razão suficiente para eu apostar minhas fichas nele.

Essas foram as minhas primeiras impressões do mundo pop; primeira de muitas, espero. O ano começou bem para quem gosta de entretenimento de qualidade; estou animada e não quero perder nada. E como eu não poderia deixar de dizer, desejo um ótimo 2008 para todos nós.