Sem categoria

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O trabalho do escritor é um dos que mais me intrigam. Transformar sentimentos, reações e sensações em palavras nem sempre é tarefa fácil, principalmente quando as palavras não vêm de dentro de nós. Para quem não entendeu, eu explico: escrever sobre o que há por dentro de mim é imensamente mais simples do que me colocar em situação inteiramente fictícia, a qual eu não tenha vivido ou presenciado.

Quando Fernando Pessoa disse que “o poeta é um fingidor”, expôs toda a flexibilidade de que um bom escritor é capaz. Como escrever sobre aquilo que não vem de mim? Como não transpirar minha tristeza, meus medos, minha euforia de maneira tão explícita? Como inserir num texto a emoção própria em pequenas doses, para não empobrecê-lo? Sim, porque todo texto carregado da emoção que vem do autor, se não for bem cuidado, torna-se repetitivo, um atentado contra a originalidade.

Não quero dizer que um texto não possa ter nenhum tipo de emoção; um texto sem emoção não arrebata o leitor (e isso falo com base nas experiências que tenho como leitora). Arrisco-me a dizer, no entanto, que um escritor, antes de trabalhar com as palavras, precisa trabalhar sua mente, para que até seus conflitos sejam uma obra de arte.

Não sou muito adepta de datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das crianças, etc. Naturalmente, podem ser boas ocasiões para que familiares distantes se lembrem dos seus e eventualmente para que se aproximem um pouco das pessoas queridas. No entanto, não consigo deixar de pensar que essas datas trazem um quê de hipocrisia.

 

Na última sexta-feira, ao abrir o e-mail que utilizo na empresa onde trabalho, deparei com uma mensagem em homenagem às mães intitulada “Mãe, sempre perto de você!”. Resolvi conferir, por pura curiosidade, embora não esperasse muitas surpresas. Realmente não tive surpresas: uma animação bem produzida, com uma música de fundo e um texto cheio de clichês e de palavras bonitas.

 

Tive uma sensação muito desagradável após ler a mensagem. Fiquei pensando nos funcionários da empresa que por alguma razão não têm alguém para chamar de mãe ou para quem a palavra não significa absolutamente nada, visto que nem toda mãe é o modelo de amor, carinho e dedicação propagado neste período.

Quem dera todas as famílias fossem ideais; todos os filhos pudessem contar com suas mães, e que todas as mães pudessem ter seus filhos para abraçá-las, não só no Dia das Mães, mas nos aniversários, nas noites de Natal ou em qualquer dia, porque dias comuns também devem ser celebrados.

 

A atmosfera em que a maioria de nós fica envolta em datas como a de hoje nos empurra para a felicidade; faz-nos acreditar que a alegria está logo ali. E se você por acaso não tiver com quem se confraternizar, isso não é problema de mais ninguém; o que importa é consumir. E se você tiver alguém para abraçar e não tiver dinheiro para comprar um “bom presente”, corre grande risco de ficar frustrado e pedir desculpas pelo transtorno.

 

Se você tem sua mãe no dia de hoje, não hesite em dar a ela o que seu coração manda. Se houver um presente material, ótimo; se não houver… Bem, não creio que isso seja um problema, principalmente se você tiver um bocado de carinho e verdade para oferecer. Por outro lado, se sua mãe não está presente, lembre-se: o dia de hoje é só uma data instituída, e a perfeição dos comerciais de tevê simplesmente não existe.

Alívio

Hoje eu seria capaz de abraçar você com a mesma intensidade com que o repeli da minha vida. Ainda que eu tenha um medo atroz de tocar você, queimar minhas mãos e meu corpo inteiro, saudade não é algo que se deixa de sentir assim, de uma vez.

 

Para mim era insuportável conviver com a distância que você educadamente estabelecia entre nós; nunca deixou que eu me aproximasse muito, eu entrevia somente o que você queria mostrar. Eu era uma pequena parte, uma peça periférica, o detalhe para o qual você virava as costas quando bem entendia. Eu dissimulava, negando quando queria afirmar, escondendo quando queria revelar

 

Eu lutava por um espaço que não era meu; Almejava o papel de protagonista de uma história na qual não havia lugar para mim. O lugar que eu mais desejava era de outra pessoa: alguém incomum, sublime, doce.

 

Construí uma parede entre nós, isolei-me e esqueci você do outro lado, mesmo não sabendo qual a sua consciência desses meus atos… Egoístas? Não, eu não diria isso; diria que eles são apenas mecanismos de autopreservação.

 

Embora tivesse muitas vezes a impressão de que você sabia, sempre soube de tudo, entendia que eu sentia errado, bem mais do que cabia a uma amizade politicamente correta, eu tinha (e ainda tenho) medo de ultrapassar a fronteira e romper a linha tão frágil que nos une. Na verdade, eu gostaria que você tivesse detectado o que acontecia dentro de mim; e que me dissesse, em alto e bom som: “Eu sei!” Sem explicações, sem mais palavras para clarear o que já é luminoso. Nada me deixaria mais feliz; aliviaria minha bagagem, permitiria que eu deixasse para trás o peso que carrego sozinha, o fardo das coisas belas que não são e nunca serão. Assim, quem sabe, eu poderei ir em frente, seguir por outras trilhas e demolir essa barreira, esse obstáculo que me dá, ao mesmo tempo, tanta segurança e tanto desalento.

Vi a brincadeira em diversos blogues, como o lendo.org, o Cadê o Revisor?, o Livros e Afins e o Carambolas Azuis. Como sou uma leitora compulsiva, não resisti e trouxe-a para cá; se você quiser, pode fazer a lista em seu blogue também.

1. Não gosto de ler poemas. Não tenho um livro sequer desse gênero na minha estante; acho que me falta paciência para tanta abstração.

2. Gosto mesmo é de ler ficção. Não importa se é romance ou conto, uma boa história me atrai.

3. Não consigo ler mais de um livro simultaneamente. Para uma leitura valer a pena, ela precisa ser feita sem que os ecos de nenhuma outra ressoem pela minha cabeça.

4. Leio no computador.

5. Compro livros pelo título; até hoje, não me arrependi.

6. Leio mais livros escritos por mulheres do que por homens. Não, não sou feminista, é uma questão de identificação.

7. Passo horas nos sites das livrarias até decidir o que vou comprar.

8. Tenho uma lista de presentes enorme, que serve tanto para eu não me esquecer dos livros que quero comprar quanto para que meus amigos (e leitores) se sintam à vontade para me presentear.

9. Não gosto de comprar livros usados.

10. Tenho ciúme dos meus livros; empresto, mas, se me devolverem com a capa ou as páginas amassadas, vai ter encrenca.

11. Não tenho paciência para ler biografias.

12. Adoro livros de bolso.

13. Se vou a uma livraria e não compro nada, fico com uma sensação de vazio.

14. Seria extremamente feliz vendendo livros.

15. Lia os livros da faculdade de letras sem reclamar.

16. Tenho lido mais intensamente de uns cinco anos para cá.

17. Sempre que começo a ler um livro, procuro na ficha técnica o revisor.

18. Gosto de ler sobre a arte de escrever.

19. Prefiro ler de madrugada, quando não há tantos ruídos.

20. É ridículo, mas sou influenciada por resenhas de outros leitores.

21. Quando termino um livro, já começo outro. Não consigo ficar sem ler nada.

22. Às vezes, relaciono certos acontecimentos da minha vida a situações que li em livros.

23. Quero namorar e casar com alguém que goste tanto de livros quanto eu. Compartilhar leituras, dividir a biblioteca, ler em voz alta um para o outro e conversar muito sobre livros. Perfeito!

O Quase fim

Este blogue quase acabou. Quem passou por aqui nos últimos dois meses deve ter pensado assim, e confesso que para mim ele quase acabou mesmo. tive ímpetos de deletá-lo, de começar tudo de novo em outro lugar. Quanto mais eu penso, mais eu me dou conta de que mudar é um despropósito. São mais de dois anos de textos emotivos e racionais, de lágrimas e sorrisos, de dicas e toques sobre coisas de que gosto e finalmente de comentários muito especiais.

Queria mudar minha escrita, fazer do blogue algo mais “profissional”. Mas hoje aconteceu algo que me fez continuar por aqui.

Semana passada, formatei meu computador. Antes, existe todo aquele processo chato de salvar os arquivos para que nada se perca. Salvei minhas músicas, mas cometi um erro: esqueci de salvar os documentos! Então, com a formatação, todos os meus textos escritos para este blogue até então se foram e agora só existem aqui. Assim, não me resta alternativa senão continuar. E se mudar, será aqui mesmo; será com todos os textos já publicados, gostando deles ou não.

Creio que o maior desafio de um autor seja superar a vergonha do que já foi escrito. Porque se existem textos que são eternos, existem também alguns que, após certo tempo, já não cabem mais, não se encaixam mais em lugar nenhum. Mas vou enfrentar o desafio e, quando olhar para o passado deste blogue, terei uma bela coleção de memórias. 

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