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	<title>A Garota das Palavras</title>
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		<title>Ora&#231;&#227;o cotidiana</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 00:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[delicadezas]]></category>
		<category><![CDATA[outras palavras]]></category>

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		<description><![CDATA[
Muitos anos antes de sua morte, um notável rabino, Abraham Joshua Heschel, sofreu um ataque do coração quase fatal. Seu melhor amigo estava ao lado de seu leito. Heschel estava tão fraco que só conseguiu sussurrar:
— Sam, sou grato pela minha vida, por todos os momentos que vivi. Estou pronto para partir. Vi tantos milagres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.agarotadaspalavras.com/wp-content/uploads/2010/03/go000098.jpg"><img src="http://www.agarotadaspalavras.com/wp-content/uploads/2010/03/go000098.jpg" alt="" title="go000098" width="510" height="252" class="alignright size-full wp-image-127" /></a>
<p align="justify"><font face="Verdana"><font color="#000080"><i>Muitos anos antes de sua morte, um notável rabino, Abraham Joshua Heschel, sofreu um ataque do coração quase fatal. Seu melhor amigo estava ao lado de seu leito. Heschel estava tão fraco que só conseguiu sussurrar:</i><i></i></font></font></p>
<p align="justify"><font face="Verdana"><font color="#000080"><i>— </i><i>Sam, sou grato pela minha vida, por todos os momentos que vivi. Estou pronto para partir. Vi tantos milagres na minha vida.</i><i></i></font></font></p>
<p align="justify"><font face="Verdana"><font color="#000080"><i>O velho rabino ficou esgotado pelo seu esforço em falar. Depois de uma longa pausa ele disse:</i><i></i></font></font></p>
<p align="justify"><font face="Verdana"><font color="#000080"><i>— </i><i>Sam, nunca na minha vida pedi a Deus sucesso, sabedoria, poder ou fama. Pedi assombro, e ele me concedeu.</i></font></font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" face="Verdana">Brennan Manning, em </font><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=7011131&amp;sid=87221704112226726366805067&amp;k5=FEAB56E&amp;uid="><font color="#000080" face="Verdana">O Evangelho Maltrapilho</font></a></p>
<p align="justify"><font color="#000080" face="Verdana">Esta também tem sido minha oração constante: que me seja concedido o assombro diante da vida. Não falo do assombro que atemoriza, do medo paralisante; falo do assombro que emociona, manifesto no sorriso diante do sol que esquenta o dia ou da chuva que o refresca; na surpresa em descobrir, em meio ao asfalto, as flores perfumadas de que tanto gosto; nas lágrimas de alegria que respondem a uma declaração de amor sincera; na beleza de me ver diante de duas pessoas que se amam; na simplicidade da conversa capaz de construir laços de amizade para o resto da vida; na habilidade de encontrar sentido nas palavras escritas por outra pessoa; no conforto que trazem as notas harmonizadas de uma música; na disposição alegre em ajudar quem precisa de mim; na certeza de que o mundo não é feito só de tristezas, quando as pessoas se auxiliam e se respeitam. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" face="Verdana">Pois sem o assombro eu me torno insensível; não consigo perceber a delicadeza em meio às calamidades, minhas e do mundo; não posso sentir em cada gesto humano a presença do Deus que não vejo, mas em quem creio, pelo simples fato de não acreditar que o universo se encerra na finitude dos pensamentos dos homens.</font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" face="Verdana">Uma vida sem assombro é uma vida que não sabe celebrar. Por isso, ainda que nem tudo seja como eu quero (e quase nada é), continuo pedindo – a Deus e à minha própria alma – que me seja concedida a graça do assombro de cada dia. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" face="Verdana"></font></p>
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		<title>A volta</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 00:41:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu vou, eu desisto, mas volto e insisto. Foi exatamente o que fiz ontem, com este blog. 
Há algum tempo, algumas pessoas próximas e queridas têm me cobrado: “Quando vai voltar a escrever? Por que não atualiza mais o blog?” Até um pen drive eu ganhei, exclusivamente para guardar meus textos; sim, presente com segundas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Eu vou, eu desisto, mas volto e insisto. Foi exatamente o que fiz ontem, com este blog. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Há algum tempo, algumas pessoas próximas e queridas têm me cobrado: “Quando vai voltar a escrever? Por que não atualiza mais o blog?” Até um pen drive eu ganhei, exclusivamente para guardar meus textos; sim, presente com segundas intenções, mas que vai ser usado somente para isso mesmo. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Pensei nas possibilidades. Fui até o blog antigo e reli boa parte do que foi publicado lá, de 2006 até 2009. De algumas coisas me orgulhei, de outras me envergonhei. Mas o mais importante foi perceber que aquela coleção de pensamentos significa mais para mim do que eu poderia imaginar. Não são só palavras, mas existe, por trás de cada texto, uma história, por mais distante que ela possa estar da minha atual realidade. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não precisei pensar muito para tomar a decisão: peguei todos os textos e trouxe-os para cá. Importei todo o meu antigo blog para este espaço. É claro que veio a tentação de cortar as passagens mais irrelevantes e revisar tudo, mas, como diz um querido amigo e grande incentivador, </font><a href="http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&amp;nomeplaylist=000258-6_20%3c@%3eO_Essencial_de%3c@%3eO_Sil&ecirc;ncio%3c@%3eArnaldo_Antunes%3c@%3e0406%3c@%3eArnaldo_Antunes%3c@%3eBMG_Internacional%3c@%3eRCA"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">parafraseando Arnaldo Antunes</font></a><font color="#000080" size="3" face="Verdana">, antes de existir o revisor, existia o escritor. Além do mais, como eu já disse, e desculpem-me se estou sendo repetitiva, tudo faz parte da minha história. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Descobri também que não consigo escrever sobre um único tema. A ideia de fazer um blog segmentado sobre literatura era boa, mas minha escrita não serve para mergulhar em um pequeno mundo e dele retirar seu substrato. Não que a literatura seja um pequeno mundo, muito pelo contrário. Todavia, o cotidiano tem coisas boas demais para serem exploradas, dentro e fora dos livros, e quero abraçar e compartilhar todas as que puder. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Por isso, a garota das palavras volta a tecer sua colcha de retalhos, pois aprendeu a importância de cada um. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
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		<title>Desafio para um escritor</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 12:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[O trabalho do escritor é um dos que mais me intrigam. Transformar sentimentos, reações e sensações em palavras nem sempre é tarefa fácil, principalmente quando as palavras não vêm de dentro de nós. Para quem não entendeu, eu explico: escrever sobre o que há por dentro de mim é imensamente mais simples do que me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O trabalho do escritor é um dos que mais me intrigam. Transformar sentimentos, reações e sensações em palavras nem sempre é tarefa fácil, principalmente quando as palavras não vêm de dentro de nós. Para quem não entendeu, eu explico: escrever sobre o que há por dentro de mim é imensamente mais simples do que me colocar em situação inteiramente fictícia, a qual eu não tenha vivido ou presenciado. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quando Fernando Pessoa disse que “o poeta é um fingidor”, expôs toda a flexibilidade de que um bom escritor é capaz. Como escrever sobre aquilo que não vem de mim? Como não transpirar minha tristeza, meus medos, minha euforia de maneira tão explícita? Como inserir num texto a emoção própria em pequenas doses, para não empobrecê-lo? Sim, porque todo texto carregado da emoção que vem do autor, se não for bem cuidado, torna-se repetitivo, um atentado contra a originalidade. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não quero dizer que um texto não possa ter nenhum tipo de emoção; um texto sem emoção não arrebata o leitor (e isso falo com base nas experiências que tenho como leitora). Arrisco-me a dizer, no entanto, que um escritor, antes de trabalhar com as palavras, precisa trabalhar sua mente, para que até seus conflitos sejam uma obra de arte. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
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		<title>Onde realmente começa um livro</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 16:34:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Epígrafes que dizem muito]]></category>
		<category><![CDATA[A Abadia de Northanger]]></category>
		<category><![CDATA[epígrafe]]></category>
		<category><![CDATA[Ian Mcewan]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[Reparação]]></category>

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		<description><![CDATA[Gosto bastante de epígrafes, aqueles fragmentos de texto frequentemente encontrados no início de uma narrativa, seja conto, seja romance, que dizem muito (ou pelo menos tentam) sobre o conteúdo subseqüente. Algumas epígrafes fracassam, a escolha do autor nem sempre é boa; mas outras, em compensação, nos dão boa ideia do que encontraremos em seguida, além [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><font color="#000080" size="3">Gosto bastante de epígrafes, aqueles fragmentos de texto frequentemente encontrados no início de uma narrativa, seja conto, seja romance, que dizem muito (ou pelo menos tentam) sobre o conteúdo subseqüente. Algumas epígrafes fracassam, a escolha do autor nem sempre é boa; mas outras, em compensação, nos dão boa ideia do que encontraremos em seguida, além de trazerem referências sobre obras que possam ser de nosso interesse. </font></p>
<p align="left"><font color="#000080" size="3">Justamente porque dou tanta atenção às epígrafes, por vezes tão injustiçadas, é que decidi reservar um espaço a elas aqui no blogue. De tempos em tempos, trarei fragmentos marcantes, tanto pela intensidade quanto pela sua importância no contexto das obras às quais pertencem. </font></p>
<p align="left"><font color="#000080" size="3">Hoje, apresento-lhes a epígrafe do romance “</font><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6053&amp;tipo=2&amp;isbn=853590235x"><font color="#000080" size="3">Reparação</font></a><font color="#000080" size="3">”, escrito por Ian Mcewan. Poucas vezes li uma epígrafe que se encaixasse tão bem numa obra. Para quem não conhece nem o fragmento nem o romance de Mcewan, fica a dica de duas ótimas leituras, ambas tratando das tragédias que um mal-entendido pode causar. </font></p>
<blockquote><p align="left"><font color="#000080" size="3">Cara senhorita Morland, pense o quanto são horrorosas as suspeitas que tem nutrido. Em que se fundamentam tais julgamentos? Pense em que país e em que era vivemos. Lembre que somos ingleses, que somos cristãos. Consulte seu próprio entendimento, seu senso do que é provável, sua observação do que se passa à sua volta. Como nossa formação poderia nos preparar para tais atrocidades? Como nossas leis seriam coniventes com elas? De que modo coisas assim poderiam ser perpetradas sem que ninguém delas soubesse num país como este, em que as relações sociais e literárias são como são, em que cada homem está cercado por toda uma vizinhança de espiões voluntários, e as estradas e os jornais deixam tudo às claras? Querida senhorita Morland, que idéias a senhorita tem se permitido conceber?&quot;</font></p>
<p align="left"><font color="#000080" size="3">Haviam chegado ao final da galeria, e com lágrimas de vergonha ela foi embora correndo para seu quarto.</font></p>
</blockquote>
<p><font color="#000080" size="3"></font></p>
<p align="right"><font color="#000080" size="3">Jane Austen, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6053&amp;tipo=2&amp;isbn=8588781441">A Abadia de Northanger</a></font></p>
<p><font color="#000080" size="3"></font></p>
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		<title>Arma Poderosa</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 18:32:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trechos de livros]]></category>

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		<description><![CDATA[De uma das melhores leituras que fiz este ano: O jogo do Anjo, escrito por Carlos Ruiz Zafón: 
&#160;
O talento natural é como a força de um atleta. Alguém pode nascer com maior ou menor capacidade, mas ninguém chega a ser um atleta simplesmente porque nasceu alto, forte ou rápido. O que faz o atleta, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.agarotadaspalavras.com/wp-content/uploads/2009/08/jogo.jpg"><img src="http://www.agarotadaspalavras.com/wp-content/uploads/2009/08/jogo-206x300.jpg" alt="Capa de &quot;o Jogo do Anjo&quot;" title="jogo" width="206" height="300" class="size-medium wp-image-12" /></a>
<p align="left"><font size="3" face="Verdana">De uma das melhores leituras que fiz este ano: </font><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=6053&amp;tipo=2&amp;isbn=8560280308"><font color="#000000" size="3" face="Verdana">O jogo do Anjo</font></a><font size="3" face="Verdana">, escrito por </font><a href="http://www.carlosruizzafon.com"><font color="#000000" size="3" face="Verdana">Carlos Ruiz Zafón</font></a><font size="3" face="Verdana">: </font></p>
<p align="left"><font size="3" face="Verdana">&#160;</font></p>
<blockquote><p align="left"><font color="#0000ff" size="3" face="Verdana">O talento natural é como a força de um atleta. Alguém pode nascer com maior ou menor capacidade, mas ninguém chega a ser um atleta simplesmente porque nasceu alto, forte ou rápido. O que faz o atleta, ou o artista, é o trabalho, o domínio do ofício e a técnica. A inteligência inata é simplesmente munição. Para chegar a fazer alguma coisa com ela é necessário transformar sua mente numa arma de precisão.</font></p>
</blockquote>
<p><font color="#0000ff" size="3" face="Verdana"></font></p>
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		<title>Da Solidão Compartilhada</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 18:02:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[gotas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quanto mais só eu me sinto, 
mais parte do mundo eu sou.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><font face="Verdana" color="#000080" size="3">Quanto mais só eu me sinto, </font></p>
<p align="center"><font face="Verdana" color="#000080" size="3">mais parte do mundo eu sou.</font></p>
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		<title>O Diário</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 10:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou apaixonada por diários; aqueles de papel, em que as meninas costumavam escrever antes da era dos blogues, mas nos quais algumas pessoas, ainda hoje, registram seus pensamentos. Mais do que os livrinhos decorados ou não, o que me encanta fica dentro deles: pensamentos, segredos, escritas de angústia e libertação. 
Já fiz várias tentativas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><font face="Verdana" color="#000080" size="3">Sou apaixonada por diários; aqueles de papel, em que as meninas costumavam escrever antes da era dos blogues, mas nos quais algumas pessoas, ainda hoje, registram seus pensamentos. Mais do que os livrinhos decorados ou não, o que me encanta fica dentro deles: pensamentos, segredos, escritas de angústia e libertação. </font></p>
<p align="justify"><font face="Verdana" color="#000080" size="3">Já fiz várias tentativas de escrever um diário com regularidade, mas nunca consegui; é claro que eu acho muito mais charmoso escrever à mão, mas meu senso prático não me abandona. Acontece que eu não gosto de acumular coisas; meu espaço precisa sempre ser renovado; em vez de acumular, faço meus objetos circularem. A ideia de colecionar livros com memórias não me atrai. </font></p>
<p align="justify"><font face="Verdana" color="#000080" size="3">Embora eu ache meio tarde começar um diário aos 25 anos, sem registro da vida até aqui, tenho tido alguns impulsos irresistíveis. Assim, como se não tivesse mais nada para me preocupar, como dois blogues nos quais raramente dei as caras durante este mês, decidi iniciar um diário; eletrônico, é claro! Na prática, agora, serão três blogues; mas o último, ao qual me refiro agora, é privado; vai conter coisas que só dizem respeito a mim e agora a ele. Será meu ponto de fuga, minha terapia, meu confessionário, minha beira do precipício. </font></p>
<p align="justify"><font face="Verdana" color="#000080" size="3">E por que você, leitor, deveria se interessar por isso? Porque hoje, se eu tivesse de lhe dar um conselho, que aliás você não pediu, eu diria: faça um diário e coloque nele aquela parte escondida da sua alma, aquela parte tímida, impublicável, cheia de vida, certezas e perguntas. Minha pouca experiência me diz que isso quebra correntes. Além disso, quando você quiser se lembrar das vezes em que foi ridículo ou genial, terá ajuda certa, sem a confusão da memória. </font></p>
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		<title>Autorretrato</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 12:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[interior]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma moça que tinha as palavras na palma da mão. Para todas as perguntas, diziam os amigos, tinha uma resposta; para todos os rostos, havia um retrato feito de letras. De sua boca, as palavras só vinham quando ela achava que valiam a pena. Por isso mesmo, gostava mais de escrever do que de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Era uma moça que tinha as palavras na palma da mão. Para todas as perguntas, diziam os amigos, tinha uma resposta; para todos os rostos, havia um retrato feito de letras. De sua boca, as palavras só vinham quando ela achava que valiam a pena. Por isso mesmo, gostava mais de escrever do que de falar; o papel não exigia que a boca dissesse aquilo que mais sensatamente caberia ao silêncio; o papel era um confessionário, um cofre onde ela guardava aquelas palavras, aqueles tesouros. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Um dia, ao acordar de um sono vivo, estendeu a mão, pegou o caderno de apontamentos que jazia no criado-mudo e, abrindo a janela para que o sol iluminasse o quarto, pôs-se a escrever sobre a vida que acabara de ter num sonho. </font></p>
<p align="justify"><i><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Era eu mesma diante de mim. Via cômo num espelho. Sim, era eu mesma, mas de um jeito diferente; não me reconheci de todo, mas seria impossível me enganar. Tinha um rosto de criança simples, criança que sorria indulgente. Alternava entre o sorriso e uma expressão triste de quem se sentia só. Lembrei-me das vezes em que, diante da superficialidade e da benevolência de quem me via com a fragilidade de uma criança, respondi com nada além do que esperavam de mim, numa atitude de quem guarda o melhor de si para alguém desconhecido. </font></i></p>
<p align="justify"><i><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Fiquei parada a olhar para aquele espelho, enquanto a imagem se desvanecia. Antes que eu pudesse desviar o olhar, surgiu outra de mim. Não pude deixar de sorrir ao me reconhecer outra vez, mas não com aquele sorriso infantil. Era uma moça crescida, com uma expressão distraída de quem sonhava. Usava um vestido azul, parecia muito leve. Eu podia esperar qualquer coisa naquele momento, menos ouvir a voz daquela moça, tão parecida com a minha própria: ‘Livre!’, foi sua única palavra, dita sem que a expressão sonhadora se modificasse. Sim, ela queria ser livre; ela já era livre, tinha a liberdade de quem sonha.</font></i></p>
<p align="justify"><i><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Agora quem sorria era eu, enquanto via a imagem se dissipar. Esperei para ver o que viria em seguida. Ao deparar, no espelho, com uma mulher idêntica a mim, estremeci. Nem sorriso de criança, nem olhar sonhador em que eu pudesse fazer alguma distinção. Era eu mesma: não mais uma menina, mas uma mulher inteira. Tinha uma expressão atenta, um olhar altivo, corajoso. Ela me olhava, mas tinha pressa. ‘O tempo’, ela disse, e eu não me espantava com mais nada daquilo. A ânsia de recuperar o tempo perdido e a vontade de servir-se do tempo que ainda lhe restava eram as coisas que a impulsionavam. Eu sabia, eu tinha certeza. Porque ela era eu. </font></i></p>
<p align="justify"><i><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Antes que a imagem desaparecesse, abri os olhos e vi-me na cama tão familiar. Agora, escrevo este autorretrato inexato, o qual o tempo, com sua sucessão de dias, definirá. Sou eu a menina? A moça sonhadora? A mulher confiante e decidida? Sou todas elas e muitas outras; não sei se chegarei a contar quantas sou, não sei se chegarei a saber de fato quem sou. Quando chegar o fim, pedirei aos meus amigos um caderno como este, para que eu possa descobrir mais uma mulher em mim e para ter certeza de que sou eu mesma no espelho daquelas palavras.</font></i></p>
<p align="justify"><b><font color="#000080" size="3" face="Verdana">#</font></b></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O texto acima é uma das tarefas que fiz para o curso </font><a href="http://www.terapiadapalavra.com/" target="_blank"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Terapia da Palavra</font></a><font color="#000080" size="3" face="Verdana">. Essa tarefa, a primeira do curso, exigia que fizéssemos uma autodescrição de nossas facetas, parodiando o texto </font><a href="http://caderno.josesaramago.org/2008/10/05/sobre-fernando-pessoa/" target="_blank"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Sobre Fernando Pessoa</font></a><font color="#000080" size="3" face="Verdana">, de José Saramago. O que criei não foi uma paródia, mas um texto mais livre, com algumas paráfrases. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">No site do curso, que pode ser feito presencialmente ou online, você poderá obter mais informações sobre a proposta e novas turmas.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
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		<title>O Tesouro</title>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2009 11:19:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[delicadezas]]></category>
		<category><![CDATA[gotas]]></category>

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		<description><![CDATA[Um tesouro continua sendo um tesouro mesmo que escondido. 
Mesmo que os dias presentes ofusquem seu valor. 

Mesmo que, com os olhos embaçados, não lhe creditem o brilho que ele tem. 
Mesmo que não se saiba o que fazer com tanta riqueza rejeitada. 
E porque é um tesouro, ainda se mantém sem perder o valor, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Um tesouro continua sendo um tesouro mesmo que escondido. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mesmo que os dias presentes ofusquem seu valor. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mesmo que, com os olhos embaçados, não lhe creditem o brilho que ele tem. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mesmo que não se saiba o que fazer com tanta riqueza rejeitada. </font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">E porque é um tesouro, ainda se mantém sem perder o valor, apesar das portas fechadas e do esquecimento.</font></p>
<p align="justify"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
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		<title>Sobre o Dia das Mães</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 16:28:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laís D&#39;Andréa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[
Não sou muito adepta de datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das crianças, etc. Naturalmente, podem ser boas ocasiões para que familiares distantes se lembrem dos seus e eventualmente para que se aproximem um pouco das pessoas queridas. No entanto, não consigo deixar de pensar que essas datas trazem um quê [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span xmlns=''>
<p style='text-align: justify'><span style='color:#002060; font-family:Verdana; font-size:12pt'>Não sou muito adepta de datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das crianças, etc. Naturalmente, podem ser boas ocasiões para que familiares distantes se lembrem dos seus e eventualmente para que se aproximem um pouco das pessoas queridas. No entanto, não consigo deixar de pensar que essas datas trazem um quê de hipocrisia. <br /></span></p>
<p style='text-align: justify'> </p>
<p style='text-align: justify'><span style='color:#002060; font-family:Verdana; font-size:12pt'>Na última sexta-feira, ao abrir o e-mail que utilizo na empresa onde trabalho, deparei com uma mensagem em homenagem às mães intitulada &#8220;Mãe, sempre perto de você!&#8221;. Resolvi conferir, por pura curiosidade, embora não esperasse muitas surpresas. Realmente não tive surpresas: uma animação bem produzida, com uma música de fundo e um texto cheio de clichês e de palavras bonitas. <br /></span></p>
<p style='text-align: justify'> </p>
<p style='text-align: justify'><span style='color:#002060; font-family:Verdana; font-size:12pt'>Tive uma sensação muito desagradável após ler a mensagem. Fiquei pensando nos funcionários da empresa que por alguma razão não têm alguém para chamar de mãe ou para quem a palavra não significa absolutamente nada, visto que nem toda mãe é o modelo de amor, carinho e dedicação propagado neste período. <br /></span></p>
<p style='text-align: justify'><span style='color:#002060; font-family:Verdana; font-size:12pt'>Quem dera todas as famílias fossem ideais; todos os filhos pudessem contar com suas mães, e que todas as mães pudessem ter seus filhos para abraçá-las, não só no Dia das Mães, mas nos aniversários, nas noites de Natal ou em qualquer dia, porque dias comuns também devem ser celebrados. <br /></span></p>
<p style='text-align: justify'> </p>
<p style='text-align: justify'><span style='color:#002060; font-family:Verdana; font-size:12pt'>A atmosfera em que a maioria de nós fica envolta em datas como a de hoje nos empurra para a felicidade; faz-nos acreditar que a alegria está logo ali. E se você por acaso não tiver com quem se confraternizar, isso não é problema de mais ninguém; o que importa é consumir. E se você tiver alguém para abraçar e não tiver dinheiro para comprar um &#8220;bom presente&#8221;, corre grande risco de ficar frustrado e pedir desculpas pelo transtorno. <br /></span></p>
<p style='text-align: justify'> </p>
<p style='text-align: justify'><span style='color:#002060; font-family:Verdana; font-size:12pt'>Se você tem sua mãe no dia de hoje, não hesite em dar a ela o que seu coração manda. Se houver um presente material, ótimo; se não houver&#8230; Bem, não creio que isso seja um problema, principalmente se você tiver um bocado de carinho e verdade para oferecer. Por outro lado, se sua mãe não está presente, lembre-se: o dia de hoje é só uma data instituída, e a perfeição dos comerciais de tevê simplesmente não existe. <br /></span></p>
<p></span></p>
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